terça-feira, março 7

Minipost




E depois que você se foi
Percebi que sua ausência era minha velha companheira.

segunda-feira, março 6

Profissão: BUNDA



Justo eu, que sempre me achei descolada e sabedora de tudo sobre eventos, sou surpreendida hoje com uma informação inédita e quase surreal.

Agora, além de hostess, copeiras, garçons etc., os organizadores de eventos de grande porte e com grande concentração de celebridades contratam pessoas para servir de BUNDAS. Siiim, você leu direito. BUNDAS.

Funciona assim. A BUNDA chega cedo ao evento, antes mesmo do evento ter começado, vestida como um convidado, e ocupa um lugar cobiçado. A frente do camarote, a mesa mais no spotlight. Senta lá e fica fazendo cara de paisagem. Quando uma celebridade top chega ao evento, tarde, na hora de começar, depois que já começou, a BUNDA se levanta e cede lugar ao VIP. A mesma coisa quando o VIP quer ir fazer pipi. Ele só precisa levantar sua bunda da cadeira, que sua BUNDA vem e senta no lugar. O VIP volta, a BUNDA levanta e ele pode tranquilamente sentar sua bunda numa cadeira reservada e quentinha.

Não é qualquer VIP que tem BUNDA. Big Brothers e afins não têm. Atores e atrizes, só se estiverem na novela que está no ar AGORA. Novela que já acabou, novela das seis ou Vale A Pena Ver de Novo não contam. O mesmo para novelas da Record. Novela que dá BUNDA é a das oito, e na Globo. Jogador de futebol, só se for o Beckham ou o Ronaldinho. Modelo, só Bundchen, Ana Hickman, por aí. Kate Moss não tem BUNDA, mas a Naomi Campbell tem.

Quem me contou isso foi uma BUNDA legítima. Disse que de vez em quando uns vips menos vips perguntam se não quer ceder o lugar, estranham a movimentação. A resposta da BUNDA é: eu cedo meu lugar pra quem quiser. Cedi pra fulano porque sou fã dele. Um convidado como outro qualquer, num rápido momento de idolatria.

O fulano em questão é o VIP dono da BUNDA. Que deve ter levantado a bunda pra ir ao banheiro, enquanto sua BUNDA se sentou em seu lugar.

Tudo certo. Mas é esquisito pacas alguém dizer que foi contratado pra ser BUNDA de outra pessoa...

sexta-feira, março 3

Por outro lado....



... na mesma conversa, ouço que uma fofa está querendo ir à loja da Louis Vuitton, em Paris, comprar uma bolsa.

Fico pensando: pra quê? Com a cara que a fulana tem, tanto podia ser a original de mil euros quanto a falsificada de 20, que não faria a menor diferença. Eu, fosse ela, comprava a muamba mesmo e ecnonomizava a diferença.

Todo mundo vai achar que ela tá usando muamba mesmo....

Só um chaveirinho



Ouço do meu chefe que, em Paris, entrou na Gucci e queria comprar nem que fosse um chaveirinho pra esposa. Desistiu. O tal chaveirinho custava o troco de seiscentos euros. É. SEISCENTOS EUROS. O preço de muito chevette por aí.

Aí fico pensando. Que mulher no mundo arruma um marido que entre na Gucci em Paris e compre um presente pra ela??? Mesmo que seja só um chaveirinho?

Melhor ficar plantada na porta e esperar SAIR, porque até arranjar um que ENTRE....

quinta-feira, março 2

Catarse



Então ficamos assim. Você é de fato muito interessante. E eu fiquei de fato muito interessada. Fiquei, na verdade, encantada. Encantada com o tanto que gosto de conversar com você, encantada de ver o quanto nossos longos papos rendem, se multiplicam, como os assuntos brincam, saltitam, voltam, borboleteiam em nossas conversinhas de pé de ouvido, ao pé do fogão...

Tá certo. Eu não me esforcei muito, e nem fui até o fim da linha. Mas eu me esforcei na exata medida do que achei que deveria, poderia. Do que eu queria. Mais que isso não tenho vontade.

E a verdade, meu amigo, é que do jeito que está, não é do jeito que quero. Não funciona pra mim. Você continua interessante. Muito. Mas tá dispensado, pode ir.

Tchau, obrigada, passar bem. Bonito traje o seu. Qualquer dia a gente se vê por aí!

Guia Gastronômico da Lala


Tem que experimentar o charmosérrimo Mare D´Italia, pra quem mora em São Paulo.
Serviço correto, preços honestos, buffet excelente, tudo de bom gosto.
Fica na Joaquim Floriano, 211, no Itaim.

Vai lá e depois me conta o que achou?

quarta-feira, março 1

Pechincha

terça-feira, fevereiro 28

Conto de Fadas



- Era uma vez...
- Vovó, você já me contou essa.
- Nem comecei ainda, como você sabe?
- Pelo "Era uma vez"....
- Não, minha queridinha. Todas as histórias de fadas, príncipes e princesas começam assim. Era uma vez. Essa você ainda não conhece, eu prometo!
- Então conte!

Era uma vez, uma linda menininha, de olhos vivos e cabelos claros como o trigo. Essa menininha foi abençoada em seu nascimento com duas fadas madrinhas.

- Duas? Por que duas???
- Porque assim elas poderiam se revezar, e enquanto uma descansava, a outra tomava conta da menininha.
- Ah. Não sabia que Fadas descansavam...

As duas Fadas adoravam a menininha! Gostavam muito dela, e não mediam esforços para vê-la feliz. Esse era o papel das fadas. Elas divertiam a menininha com histórias engraçadas, organizavam lindas festas no reino, e durante um bom tempo estiveram empenhadas em xeretar em todos os reinos vizinhos quais eram os menininhos que tinham nascido. Afinal, a menininha era uma princesa, e as fadas queriam mesmo encontrar pra ela um príncipe.

E assim o tempo foi passando. A menininha gostava muito das fadas, e sempre queria retribuir o carinho e a atenção delas! Então, sabendo do que as fadas gostavam, ela sempre dava um jeito de separar um pratinho com iguarias para as fadas se deliciarem. Um dia era uma buchada de bode, outro dia era uma sardinha em lata... Houve até mesmo um dia em que a menininha colocou no prato de uma das fadas um pedaço de pão velho. "É tudo o que tenho para oferecer a vocês, queridas fadas".

E as fadas aceitavam de bom grado! Afinal era tudo o que ela tinha e estava ofertando.

Um dia, as duas fadas, já liberadas de seus afazeres, sentaram-se para descansar suas asinhas, e descobriram no Ormário da meninha uma série de iguarias: potes de finos biscoitos, as mais deliciosas geléias, vários pãezinhos com muito recheio. As fadas teriam caído no chão de susto, não fossem elas fadas. E então descobriram que a menininha vinha mocozando as finas iguarias, e ofertando a elas somente os caroços, quando ofertava.

As fadas ficaram muito tristes, e resolveram ensinar à menininha uma lição.

- Vovó, as fadas castigaram a menininha?
- Não, minha queridinha, senão elas seriam bruxas, e não as lindas e doces fadas que eram.
- O que elas fizeram então?
- Ah, o que elas fizeram???

As fadas bateram com suas varinhas duas vezes no nariz do menininho que tinha sido eleito como príncipe, e ele ficou com um probleminha na fala. Para todo o sempre, cada vez que a menininha estivesse triste, seu príncipe encantado diria pra ela"TITIFOI? DESSA DÁ BEZINHO". E quando eles se casassem, ele herdaria os 54 gatos de uma tia que morava em um reino distante, e a menininha teria que cuidar deles.

- Pronto, acabou.
- Acabou? Não vai ter "e viveram felizes para sempre?".
- Vai, mas é um pouco diferente.

Então tudo o que as Fadas encomendaram aconteceu, e elas viveram rindo para sempre. Sem comer, mas rindo.

FIM

domingo, fevereiro 26

CARIMBO



E então aquela sua amiga querida descobre a página do pretê no Orkut. Quase corta os pulsos. Só tem mulher. SÓ TEM MULHER. Lindas e se rasgaaando. Ela quer chamar um hacker pra tirar a página do ar, um cracker pra descobrir a senha dele e mandar a negaiada toda se fuder e uns manos lá do buraco da brasilândia pra quebrar as pernas de uma em especial.

Você sugere a ela que não. E, dentro de sua infinita sabedoria, recomenda que ela use a velha e boa estratégia do xixi no poste. VAI LÁ E CARIMBA. Bota um scrap dizendo que adorou a companhia dele na data XYZ, que ele é um cavalheiro, que o champagne estava ótimo etc.

Sua amiga vacila. Ah, não sei.... COMO NÃO SABE? CARIMBA O HOMEM! MIJA NO POSTE. ESFREGA NA CARA DESSA VACAIADA! Ela argumenta que não acha que vai marcar pontos com ele, e que vai atrair para si a ira e as más energias da barangada de plantão...

Enquanto isso, ela está lá... com você no sábado à noite.... e ele, vai saber? Mas num ponto ela está certa... O carimbão no orkut, o xixi no poste online (no caso, xixi no post) não garante que no sábado à noite ele estaria com ela, e não numa estrebaria qualquer por aí....

quinta-feira, fevereiro 23

Rio de Janeiro e São Bernardo



Todo mundo sabe a quantas ando por conta de uma concorrência aqui no trabalho. Não, não é nenhuma ZINHA magra e de cabelo liso cobiçando o mesmo espécime macho. É trabalho mesmo. Concorrência pra uma conta importante.

Tô quase vendendo a alma por ela. QUASE. Não vendo o corpinho porque já tem gente oferecendo essa mercadoria a preço de banana no mercado.

Aí que hoje moço cliente liga todo cheio de simpatia, e me diz que a concorrência está sendo reaberta porque a presidência não gostou de nenhuma proposta. Então tenho que estar lá às dez da manhã, amanhã sem falta.

Sem falta e sem problema, SE e somente SE eu não estivesse desde as NOVE, numa reunião na aprazível localidade da Candelária, centro do ridijaner.

E o que ouço das esferas superiores é: pense numa alternativa.

Alguém consegue pensar em alguma outra?

terça-feira, fevereiro 21

Pausa para Chibatadas

Merecidas.

Faltava um link NECESSÁRIO E FUNDAMENTAL aqui.
Delírios de uma Branda Walsh Tupiniquim, a Vida após Beverly Hills, da Dri.

A gente não podia adivinhar sozinha que ela tinha voltado. Mas já podia prever, porque o mundo tava mesmo precisando ler "É você, Dylan?".

:0) Welcome back, dearest.

segunda-feira, fevereiro 20

Querido Papai do Céu



Eu sempre tenho muitas coisas pra pedir.

Mas hoje, só quero que o Senhor abençoe a Claudia. Porque ela me arrumou ingresso pro U2? Não, porque ela é minha amiga, e torce sempre por mim.

Amém.

quarta-feira, fevereiro 15

Ways and ways

Chegaram ao hotel e, claro, o apartamento ainda não estava disponível. Paciência, pensou ela, check in antes do meio dia é questão de sorte.
Sorriu e perguntou ao recepcionista quanto tempo teriam de esperar. Ele nem levantou os olhos e respondeu "não tenho a menor idéia".

Que sujeito grosseiro. Foi até a porta pra conferir: CINCO estrelas??

Voltou ao balcão:

- Moço, quando você diz que não tem a menor idéia, na verdade quer dizer que pode ser a qualquer momento entre AGORA e duas da tarde, que é o horário ESCRITO aqui no meu voucher, não é?
- Não, não é. Não sei, o hotel está lotado.
- Eu tenho uma reserva já paga...
- Senhora, o hotel está lotado, a senhora vai ter que aguardar.

Então aconteceu. Ele achou que tinha que intereferir e resolver as coisas a seu modo, mulher é assim mesmo, aguenta qualquer porcaria e fica de boca fechada. Por isso o mundo está como está.

Foi até o balcão, sobrancelhas quase unidas numa expressão carregada de fúria e segurou o pulso do cidadão:

- Eu quero falar com o GERENTE agora mesmo. O Senhor obviamente não sabe nada, não sabe desempenhar seu trabalho, quero falar agora mesmo com o Gerente.
- O gerente não está.
- Então me chame seu superior. Esta espelunca não tem dono?? O senhor não tem idéia de com quem está falando, tem??

Ele falava cada vez mais alto. Ela detestava aquilo, então afastou-se devagar. Foi se afastando cada vez mais. Do outro lado do lobby, ouvia a voz dele pronuciada, e via o dedo em riste, os passos rápidos de um lado para o outro, a expressão de desaprovação de todo mundo. "Vão cuspir na nossa comida".

Sentou-se no sofá longe daquilo tudo e tirou um celular da bolsa. Respirou fundo e discou.

Do outro lado atenderam:
-Viagens X, Eliana, bom dia.
- Bom dia Eliana. Que bom que eu consegui falar com você! Comprei um pacote para o feriado de vocês, estou com um problema e preciso que você me ajude.
- Pois não senhora.
- Chegamos no Blue Tree Towers e sinceramente fomos bem mal recebidos. O apartamento não está pronto, ele não sabe quando vai estar. Acontece que meu acompanhante está surtado, gritando, andando de um lado para outro. Pelo amor de Deus, Eliana, me ajude a salvar meu feriado. Você não consegue nos colocar no Pestana?
- Um minutinho senhora.
(...)
- Alô senhora, tudo resolvido. A senhora pode ir agora mesmo ao Pestana, seu apartamento já está pronto, e a senhora vai receber um jantar de cortesia.
- Muito obrigada Eliana, você foi esplêndida!

Desligou o celular e foi lá encontrar o homenzinho vociferante que continuava com suas ameaças: vou processar esse hotel! Onde já se viu ficar aqui esperando que resolvam ter vergonha na cara??

Ela suspirou e tocou o braço dele levemente:
-Vamos?
-Como?
- Vamos para o Pestana querido. Nosso apartamento lá já está pronto e tem vista para o Farol da Barra.

Foram. Há maneiras e maneiras de se resolver uma questão. Nem sempre os bravos são os mais valentes. Mas as mulheres são sempre compreensivas.

Evil Sex

Tenho recebido muitas cartas de moças de coração partido por miseráveis que não valem o prato em que comem. Muitas de vocês têm querido partir pra ignorância, contratar capangas que dêem um bom cacete no fulano, comprar uma bota com bico de aço pra chutar os ovinhos do rapaz. Um amiga ora todos os dias pela impotência perene de seu ex. Eu mesma já tive vontade de tirar do papel o tal tacho de azeite fervendo pra jogar no ouvido.

Muito bem. Sejamos inteligentes. A vingança pode e deve ser praticada, mas é bom que seja doce e elegante, e que seja, como dizem, uma faca entre os dentes, presa num sorriso.

ACABE com seu homem na cama, dear. Não tem lugar melhor. E em grande estilo. Com palavras doces e sussurradas no ouvido, como:

"Ai querido, você é tãao melhor pra mim na cama que meu ex.... Sabe, eu prefiro assim, pequenininho.... o dele era muito grande, eu morria de medo que me machucasse..."

"Que bonitinho!!!! Parece um filhotinho!!"

Você também pode ser musical. Faça cara de estrela e cante docemente: "Meeeu pintinho amareliiiiinho! Caaabe aqui na minha mão! Na minha mão!".

Ou pode ir pras cabeças, interrompendo o moço em seus movimentos e perguntando na lata: "Quer me ajudar mesmo?? Então LEVANTA JÁ daí e corre comprar pilha".

Não tem homem que merece?

terça-feira, fevereiro 14

Arlindo: Os Stones estão verdes

Ok, pra U2 não tem mais ingressos. Pra Stones, não precisa de ingresso. É só ir chegando.

Passagem, nem precisa, que tenho reunião no Rio na sexta. Não precisa passagem, não precisa ingresso.

Areia de Copacabana. Público estimado em mais de um milhão de pessoas.

Sem ingresso, não tem lugar marcado e não tem camarote.

Penso.

Minha intenção era ficar no Copa, vendo o show da janela, bebericando champagne e com o ar condicionado ligado. MAS JÁ ESTÁ LOTADO.

Abdico do show. Afinal, eu nem gosto de Stones. Eles estão muito verdes....

segunda-feira, fevereiro 13

Lua Cheia



A lua estava fora de curso até 14:20, diz o horóscopo. Aqui na terra, diz o astrólogo que as idéias estão mais claras e o ser humano se move com destreza.

Muito bem. Mente clara e destreza. Então é o seguinte:

1 - Ele não me ligou, ótimo. Eu não ligo mais pra ele, entenda como quiser.

2 - O email malcriado que recebi no trabalho de um "colega" teve resposta oral. Foi mais firme e bem menos delicada do que teria sido por escrito, mas não se transformou num incidente diplomático, cheio de testemunhas.

3 - Dieta. Já. Nada como um espelho te olhando no sábado à noite na posição horizontal pra despertar essa consciência.

4 - Cafuné é bom, a gente gosta e merece.


Tenho dito.

segunda-feira, fevereiro 6

Start Spreading The News...




Léo querido,


Mais uma vez venho me dirigir à sua querida pessoa aqui no meu humilde Blog. Fico pensando que se VOCÊ estivesse indo pra NY, eu já estaria sabendo pela sua própria boca, e não por terceiros, e a esta hora estaríamos os dois lá na sua casa na maior excitação pra arrumar as malas, assim como a gente fazia quando você ia pro Paiol Grande!

Quero te contar, Léo, que NY é um dos meu lugares favoritos na face da Terra. Sabia que já fui pra lá mais de vinte vezes?

É verdade. Se você estivesse indo pra lá e tivesse me contado, eu teria um moooonte de coisas pra compartilhar com você!!! Eu diria que tem um lugar super bacaninha na 9th, chamado Zen Palate, que se você tiver paciência, deve ver.

Eu definitivamente recomendaria uma visita ao Garment District, uma caminhada pelo South Street Seaport... Se você me disse que ia à Estátua da Liberdade, eu diria pra você fazer o que ninguém quase faz, e descer do ferry em Ellis Island...

Eu sugeriria que você tomasse um Heath Bar Crunch, comesse um Bagel em Third Avenue. Claro, a loja da Apple no Soho, mas isso acho que vc já vai ver...


Enfim, Léo querido. Se você estivesse indo para a maçãzona, eu te daria um grande beijo, e desejaria uma ótima viagem pra você!!!! É a sua cara, tenho certeza de que você vai adorar!

Beijo da Lala.

quinta-feira, fevereiro 2

Tolerância e Meio Ponto




Sempre fui boa aluna. Boa só, não. Era outstanding. Presidente do Grêmio da escola e tudo mais.
Além disso, sempre tive facilidade com idiomas, e adorava as aulas de inglês.

Muito bem. Tive a mesma professora, Mrs. Susana, durante muitos anos. E tirava 9,5, sempre. Quando era 9,75, ela arredondava pra 9,5.

Eu perseguia o 10, mas ele não vinha nunca. Tinha 14 anos quando achei que a resposta que faltava pro meu 10 estava correta, e fui lá falar com ela. Ela olhou a prova de má vontade, torceu o nariz e decretou: "Isso é chatice de aluno, Andrea. DEZ, nem a professora...".

Fiquei magoadíssima. Ela estava me dizendo com todas as letras que o 10 que eu perseguia era impossível, que além de tudo eu era uma chata e que ela tinha mais o que fazer além de aguentar chatice de aluno.

Na semana seguinte, fui de novo falar com ela, levando uma pergunta: "Professora, se eu tivesse tirado 5,5 o ano todo, a senhora seria capaz de me dar meio ponto agora pra fechar a média e passar de ano?". Ela disse que daria. Então perguntei pra ela por que um aluno que tira 5,5 o ano todo merecia mais aquele meio ponto do que eu que tinha tirado 9,5 o ano todo.

Ela então me deu o meio ponto (0,25 na verdade) e eu fiquei com meu 10.

Só que isso acontece o tempo todo. É o filho que nunca faz nada, e tem seus pequenos movimentos festejados pelo pai, em detrimento do outro filho que sempre faz tudo. É a tolerância demais com quem nunca faz e a tolerância de menos com quem se rala. São as pequenas indulgências sempre postas na cesta errada.

E você, pra quem daria meio ponto hoje?

segunda-feira, janeiro 30

Pra começar o dia...


Toca meu ramal aqui na agência.

- Andrea, seu lanche.
- Oi Solange!

domingo, janeiro 29

Telefone que não toca...


Fazer o quê né?

sexta-feira, janeiro 27

Sites de Encontros - Epílogo

Sim, eu já fiz propaganda. E sim, já incentivei amigos e amigas em diversos segmentos a fazerem um cadastrinho.

Sim, já conheci gente legal. E sim, já apareceu um monte de gente nada a ver.

E sim, eu mesma já disse algumas vezes que é "apenas uma amostra do universo".

Só que depois de tanto email de homem casado, compromissado, enrolado, endividado, mal alfabetizado, mal educado, mal remunerado e outros ados, a gente para e pensa.

É mesmo uma amostra do universo, só que no mundo "real", não estamos expostas a um universo desses. É como se a gente ficasse parada no Largo Treze, dando conversa pra qualquer um que se aproxima.

Eu quero é o olho no olho. Nada de email, nada de messenger, nada de nada. Olho no Olho, como sempre deveria ter sido.

terça-feira, janeiro 24

Matemática Humana




"Quem tem um, não tem nenhum" - a Vó, sobre sapatos.

"Quem tem dois, tem um" - teoria da segurança de sistemas.

"Quem tem 3, pode ficar com pelo menos um" - Uma amiga adepta do multi-tasking.

"Quem não tem nenhum, não tem nenhum mesmo" - Lala, sobre o que quer que seja.

segunda-feira, janeiro 23

Holandesa!

- Preciso te contar uma coisa.
- O que é?
- Eu virei uma vaca.

Ele olhou pra ela, desconfiado. Numa amizade desse tamanho, ninguém mais faz tipo. Intimidade é uma merda.

- Olha, se bem te conheço, tô até imaginando...
- É sério. Eu virei uma vaca, devoradora de homens.
- O que você acha que fez e que te transformou numa vaca.
- Eu saí com um, depois saí com outro porque precisava tirar o foco desse um. Aí, acabei beijando o outro, e fiquei com medo que o um visse, mas o um não telefona, não aparece, não nada, e o outro marca em cima, quer sair sempre, todo dia toda hora, e beijar sempre.
- Hmmm.
- Hmm, quê? Sou uma vaca, não sou? Eu sabia! Virei uma vagabunda.

Ele riu. Uma mulher tão esperta e descolada, não tinha noção de com quantos beijos se faz uma vaca.

- Mas você gostou?
- Do quê?
- Do beijo?
- De qual beijo? Do um ou do outro?
- Dos dois.
- Gostei. Pior que gostei.
- Do um ou do outro?
- Dos dois.
- Prometeu fidelidade, exclusividade, amor eterno e quatro filhos lindos pra algum deles?
- Não!
- Então tá tudo certo. Beija mesmo.
- Mas e se o um quiser sair comigo de novo?? O que eu falo pro outro?
- Não fala nada. Se der sobreposição de agenda fala que "hoje não é seu dia". E pronto. Sai com quem quiser, com quem gostar.
- Gostei dos dois. Eu sou uma vaca, tá decidido.

Ele não falou mais. Ela parecia feliz em se achar uma vaca, então resolveu deixar. Era uma vaca junior, quase uma Lassie. Ele torceu, amigo que era, pra que os tais beijos dessem certo pra ela. Ou com um, ou com outro, tanto faz. Mas que dessa vez dessem certo.

A Vó e a Pinga





Domingo à noite, muito calor, saímos pra comer pizza. A vó, contrariando tudo e todos como de costume, foi junto. Acho que foi sua primeira saída noturna em muito tempo, depois de tanta internação, coração, avc... Comemos pizza, tomamos água tônica Diet, nos divertimos muito. Na saída, subimos por uma rampa, já que com escada ela não pode mais. Lá pelas tantas, deu uma cambaleada e eu segurei o braço dela:

- Ô vó, tá bêbada?
A vó riu, e disse que sim, que era a Marvada Pinga!
Eu ri também, e fomos subindo a rampa, devagarzinho, cantando a Moda da Pinga, rindo.

Chegando no final, comentei com a vó:

- Quem vê pensa que a gente bebeu mesmo vó... as duas cambaleando e cantando a Marvada pinga.

E a vó responde:

- Se eu morrer amanhã, você vai ter história pra contar.

Eu, que não sou besta nem nada, tratei de negociar:

- Ai vó, amanhã não... amanhã tenho reunião, é chefe novo, não posso faltar!

Ela concordou: tá bom, amanhã não.

E assim vamos indo. Negocio com ela, negocio com Deus. Mas com 92 anos, sei que minha margem está ficando apertada.

Então, a gente faz que bebe e canta enquanto der!



Moda da pinga
(Ochelsis Laureano e Raul Torres)

Co'a marvada pinga é que eu me atrapaio
Eu entro na venda e já dô meus taio
Pego no copo e dali num saio
Ali mesmo eu bebo, ali mesmo eu caio
Só pra carregá é queu dô trabaio, oi lá!

Venho da cidade, já venho cantando
Trago um garrafão que venho chupando
Venho pros caminho, venho trupicando
Chifrando os barranco, venho cambeteando
E no lugar que eu caio já fico roncando, oi lá!

O marido me disse, ele me falô
Largue de bebê, peço pro favor
Prosa de home nunca dei valor
Bebo com o sor quente pra esfriá o calô
E bebo de noite que é pra fazer suadô, oi lá!

Cada vez que eu caio, caio deferente
Me arço pra trás e caio pra frente
Caio devagar, caio derepente
Vou de currupio, vou deretamente
Mas sendo de pinga eu caio contente, oi lá!

Pego o garrafão é já balanceio
Que é pra mor de vê se tá mesmo cheio
Num bebo de vez por que acho feio
No primeiro gorpe chego inté no meio
No segundo trago é que eu desvazeio, oi lá!

Eu bebo da pinga porque gosto dela
Eu bebo da branca, bebo da amarela
Bebo no copo, bebo na tigela
Bebo temperada com cravo e canela
Seja quarqué tempo vai pinga na goela, oi lá!

Eu fui numa festa no rio Tietê
Eu lá fui chegando no amanhecê
Já me deram pinga pra mim bebê
Já me deram pinga pra mim bebê, tava sem fervê
Eu bebi demais e fiquei mamada
Eu cai no chão e fiquei deitada
Aí eu fui pra casa de braços dado
Ai de braço dado ai com dois sordado
Ai, muito obrigado!

quarta-feira, janeiro 18

Querido Léo,




Há oito anos, o U2 veio pro Brasil. Fez um show no Rio, lá em Jacarepaguá (e eu cantando Jota Quest o tempo todo:"jacarepaguá é longe pra caramba! Jacarepaguá só se estiver na Barra..") e dois no Morumbi.

Antes disso, meses antes, fui mandada pra Dublin. Fui ver lá in loco, na terra dos moços, o que era a tal POP MART TOUR.

Achei o show tudo de bom. Tocaram TUDO o que eu queria ter ouvido. Voltei pro Brasil enlouquecida, apaixonada, me achando a rainha da cerveja preta porque tinha visto o que o Brasil só ia ver meses depois.

Então, começou a maratona. Meu trabalho na ocasião fez com que eu me envolvesse até o último fio de cabelo carapento nessa Tour. Foram meses de muito trabalho, muitas negociações. Vamos transmitir o show do Morumbi ao vivo. Podemos transmitir e reprisar uma única vez, mas não podemos manter as gravações e nem ultilizar versões ao vivo de faixas isoladas. Podemos entrevistar, podemos fotografar, podemos e devemos promover. Trabalhei como uma moura, dedicada, apaixonada, uma verdadeira gueixa do showbiz.

Então, o show no Autódromo de Jacarepaguá, que era longe pra caramba. Final de janeiro, o sol judiou mesmo da gente, o asfalto ainda mais. Eu, que já tinha visto o mesmo show na Irlanda, descobri que não era o mesmo show, e que a diferença estava no público. A diferença eram 90 mil brasileiros que por 20 anos esperaram para ver Bono, Larry, Adam e The Edge ao vivo.

Depois voltamos pra cá, e a trabalheira toda no Morumbi. Mais sol de Janeiro, mais calor, mais noventa mil brasileiros em cada um dos shows, o T vermelho da Transamérica nos balões, em todo o Morumbi, colado no peito de cada pessoa que entrava lá.

A organização do show deixava a desejar, mas nem de longe vi o que ando vendo agora. Quem queria, comprava ingresso na C&A, lojas aos montes, fila nenhuma.

Da outra vez, eu tinha uma coleção de credenciais. Entrava e saía e ninguém nem me perguntava aonde eu ia.

Eu vou de novo dessa vez, Léo. Apaixonei-me demais há oito anos pra não ir, mas me doeu mesmo o esquema de comprar ingresso por meios escusos, ou ficar na fila 20 horas e talvez nem conseguir....

Só que quando a gente ouve The Edge começando New Year´s Day, e sente o Morumbi tremer literalmente sob nossos pés, vale a fila, valem os métodos escusos, vale tudo. Tomara que você consiga querido. E então vamos juntos!!!

domingo, janeiro 15

Um romântico idiota


Ele largou tudo por um amor que se mostrou impossível. Depois, apaixonou-se no meio da rua, virou o mundo e encontrou sua musa, e disse a ela que o tinha inspirado.

Ele está disposto a cuidar de uma mulher que ame se ela ficar doente, e sabe que não mediria esforços para estar com ela.

Seu coração sensível fica machucado, e ele se pergunta por que os rudes não sofrem por amor.

Eu fico muito orgulhosa porque ele é meu amigo, e peço aos anjos que o convençam que não, ele não é um romântico idiota.
´
Querido, você é uma preciosidade. Tomara que todas nós encontremos homens que sejam metade do que você é.

sexta-feira, janeiro 13

Olha o Aviãozinho





Eu tenho medo de avião. Aliás, medo não. Paúra me parece ser uma palavra que define melhor a sudorese, o desconforto, a tensão muscular e a - vá lá - dor de barriga que me acomentem sempre que tenho que voar.

Ainda assim, eu me considero uma moça corajosa. Passo por isso tudo, mas não deixo de fazer o que é preciso. Detesto, mas faço.

Entre todos os vôos que fazem parte do meu repertório, acho que a Ponte Aérea é o que há de pior. Sim, você vai dizer que é uma bobagem, que a ponte aérea deveria ser o menor dos males, afinal é só meiorinha....

Só que essa "MEIORINHA" é um Best Off. Sofrimento concentrado. Nos vôos de média/ longa duração, há um momento em que relaxo. O avião alcança altitude de cruzeiro, o piloto desliga o aviso de atar cintos, estabiliza o bicho, e eu fico lá, curtindo as cadeirinhas mais estreitas que o quadril, a comida maravilhosa, a sensacional leitura de bordo.

Mas na Ponte Aérea tem disso não. É praticamente só pouso e decolagem. Assim que termina a tensão da decolagem, já começa a do pouso. São quarenta minutos ininterruptos com as mãos cravadas no braço da tal cadeirinha, as costas decalcadas no assento QUE PERMANECE NA POSIÇÃO VERTICAL, a respiração curtinha que não vem nem até o decote.

A vida só começa a melhorar outra vez quando soltam a gravação: we´re now on our final approach for landing at Congonhas Airport in São Paulo. Please put the backrest of your seat in the upright position, make sure your tray table is folded up and your seat belt is fastened.

E logo depois: sejam bem vindos a SP, são x horas.

Não precisava nem ser São paulo. Tanto faz onde você chegou, desde que as rodas toquem o solo.

Com isso tudo, sou obrigada a discordar da Tam, que diz que eu nasci pra voar, e da Gol, que pergunta pra que viajar de outro jeito se eu posso voar.

Não nasci com asas, mas com pernas. Acho que isso quer dizer alguma coisa.

quarta-feira, janeiro 11

Ó, é assim, ó

Recebi isso por email, de uma amiga que, ao contrário do que eu imaginava, tem muito tempo livre nas mãos. Publico na íntegra, sem retoques!


A quem interessar possa:
Desde o começo desta história, a nossa equipe de reportagem investigativa estava desconfiada da versão fornecida pela sedutora autora do Fala Lala. Assim, sem que ela soubesse, mandamos alguns repórteres à paisana à paradisíaca Punta Cana e flagramos imagens inéditas, exclusivas e reveladoras da nossa musa se dando bem.
Abaixo, a foto sem retoques da opulenta embarcação de Mark Thelonius Alphonsus Constantinoplus Dupont, o greco-canadense de 1,95 de altura que arrebatou o coração da nossa estrela.
Em breve, mais fotos altamente comprometedoras. Aguardem.


terça-feira, janeiro 10

Welcome to Kubanadá - Part I

Então estava lá. Depois do reveillon, depois das sete ondas puladas a muito custo, depois das duzentas horas de viagem. Entregue ao dolce far niente, com uma cuba libre do lado, deitada na praia, não sabendo se me incomodava com o sol forte do Caribe ou o vento, fresco e insistente, que soprava sem parar.

Sinto minhas costas começando a arder, e vejo que a combinação de sol forte e vento do Caribe é muito perigosa para esta cara pálida que vos fala.

Clau dorme. Ainda deitada de bruços, pego o protetor solar e começo a me contorcer para passá-lo nas costas, mas é muito esforço, tem lugar que a gente não alcança. É então que alguém tira o frasco das minhas mãos, e, sem dizer palavra, começa a passar a loção nas minhas costas, no meu pescoço.

Viro para olhar e lá está ele, com um sorriso imenso de ponta a ponta, olhos mais azuis que o mar. Fico sem graça, e ele nem se move.

- Hi, I´m Mark.

- And I´m....

- I know who you are. Have been watching you ever since you got here yesterday.

Começamos a conversar. Mark me conta que era fazendeiro no Canadá, vida dura porque o frio castiga todas as lavouras. Conta também que perdeu os pais ainda menino, e que teve que se fazer sozinho na vida. Conforme fala, vejo que tem uma tristeza no olhar, apesar do sorriso largo e da expressão doce.
O sol está mesmo forte, então Mark me convida para nos sentarmos à sombra. Vai até o bar e volta com champagne, e ficamos ali, conversando e bebericando na praia.

Mark conta também que as coisas começaram a melhorar quando encontraram petróleo na fazenda perto de Calgary, e ele descobriu que havia Petróleo também nas outras cinco. Conforme ele fala, vai se entusiasmando e os olhos ficam mais azuis, e o sorriso ainda mais largo.

Pergunto a ele se também enfrentou a maratona de avião/ kombi/ Canela para chegar lá, e ele sorri, aponta a praia. "Não, vim no Brazilian Lady of My Life" - e aponta o gigantesco iate onde está escrito "LALA".

Foi uma semana maravilhosa. Mark abandonou o golf e esteve comigo 24 horas por dia. Mostrou-se um cavalheiro, um excelente massagista, um homem absurdamente delicado para seu metro e noventa e cinco. Fiquei nas nuvens.

Estamos agora vendo como vai ser o futuro. A vida no Canadá é mais promissora, mas Mark tb considera morar no Brasil, porque não quer que eu me distancie da minha família.

That´s it.


Obra de ficção, só feita pra apaziguar a lombriga romântica da Ju geve!

segunda-feira, janeiro 9

Sejamos Justos


Nem tudo é Canela em Kubanacán!

Breve Diário de Bordo - Bienvenida a kubanacán parte 2



Então você entra na Van. Kombi ou similar. O motorista da unha comprida no dedinho se chama CANELA, usa óculos espelhados e liga o som. Foi dada a largada para a maratona de merengue, versões de axé em ritmo de merengue, e canções cafonas de amor em ritmo de merengue.

Canela, o condutor, dirige como um animal. Acelera, buzina, breca com violência. De vez em quando, passa a mão na nuca e coça o pescoço, a unha do dedinho gritando como se fosse de neon....

Emoções violentas por todo o trajeto. São três horas e meia de Mônaco, ops, Santo Domingo até Punta Cana. Estrada ruim, pista simples, cheia de curvas. Chega uma hora em que você nem liga mais. Depois de uma noite sem dormir e muuuitas horas de vôo, escala no Panamá e o escambau, você só quer mesmo é chegar no hotel, tomar um bom banho quente, comer, dormir.

Opa! Eu disse chegar no hotel, tomar banho, comer e dormir?

Desculpe. Era chegar no hotel, descobrir que sua reserva não está feita e não tem vaga, ser transferida pra outro hotel que não considera o voucher pré pago e solicita que você deixe um open voucher como garantia com seu cartão de crédito.

Kubancán não é uma obra de ficção. E qualquer semelhança, foi cara de pau mesmo.

sábado, janeiro 7

Breve Diário de Bordo - BIENVENIDA A KUBANACÁN

Então depois de estar no aeroporto às 3 da manhã, pegar um vôo de sete horas até o Panamá, descobrir que o aeroporto internacional de Tucuman, Pucuman, ou sei lá o que man, vulgo HUB DAS AMERICAS, é nada diferente do terminal Jabaquara, e mais um vôo de duas horas e meia até Santo Domingo, EIS QUE CHEGO EM KUBANACÁN. Ops! Eis que chego na República Dominicana.

Eu SEI que cheguei na República Dominicana. ESTÁ ESCRITO "República Dominicana" em toda parte, inclusive nos uniformes militares de milhares de homenzinhos de metro e meio com bigodinhos de centímetro e meio. Mas ainda assim paro de vez em quando pra checar, porque tenho a sensação de ter desembarcado em Monte Carlo.

Não, o Aeropuerto Internacional LAS AMERICAS não está cheio de chiques e famosos. Não é por isso. Você também não vê posters da Grace Kelly all over.

Explico. No avião, a tripulação te dá um papelzinho pra preencher e entregar na imigração. Quando você chega na imigração, o papel não é aquele. O Juan que está na cabine te dá um outro formulário, após olhar toda a sua documentação PLUS seus peitos, te manda preencher o outro troço (sair da fila, preencher e voltar pra fila).

Muito bem. Depois do segundo papelzinho preenchido, vem outro Juan olhar a coisa toda. Esse não olha os peitos. Ele olha nos olhos quando diz que precisa ir ao Brasil aprender Samba e arrumar uma mulher linda brasileira. Faço cara de paisagem, a Clau já está com a dela desde que ouviu FIU FIU de funcionários do aeroporto.

Dito isso, ele me avisa que temos que pagar um cartão de Turista, lá atrás. Na verdade, já tínhamos que ter pago, mas o outro Juan não avisou. Saímos da fila, vamos lá, pagamos dez dólares cada pela tarjeta e voltamos pra fila.

O Juan então carimba nossos passaportes, deseja uma boa estada, e lá vamos nós. Pra outra fila, pra mala passar pelo Raio X. DEPOIS QUE VOCÊ JÁ VOOU. Foi então que comecei a achar que estava em Monte Carlo. Todos os cuidados são justificados, afinal de contas você pode querer se aboletar no principado de Mônaco, sua índia terceiromundista! Mais fiufius, mais fila. Clau recebe uma proposta de ir viver em Miami com um tipo sem cabelo e de bermudas. Não aceita e nem agradece.

Saímos finalmente. Na rua, um calor infernal, um monte de gente querendo te pegar pelo braço, pela perna, pela bunda. E um cidadão com uma plaquinha nos aguardando para seguir viagem rumo a Punta Cana. Ele tem a unha do dedinho comprida. O Carro é uma van com os bancos cobertos por passadeiras.

Isso, definitivamente, não é Monte Carlo.

sexta-feira, dezembro 30

O Balanço do Ano

2005 tá agonizando, e já não lhe resta mais do que um sopro de vida.
Eu comemoro, claro, mas também paro e olho por sobre os ombros pra ver o que é que ficou pra trás.

Quando a gente olha pra um tempo que já passou, ele não é uma pintura a traço, cheia de detalhes. É mais uma aquarela, sem limites definidos, e o que você vê são cores. Quanto mais se distancia, menos cores vê, e quando está bem longe só identifica o tom que domina a pintura.

Assim, olhando 2005, acho que foi um ano de luta. Foi também, desde que me lembro, o ano em que mais chorei. Tanto que ele acabou ficando com um gosto meio salgado. Mas também quando olho pra mim atravessando esse ano, sei que entrei nele menor do que estou saindo.

Em 2005, aprendi muito. Cada aprendizado me trouxe um centímetro a mais na altura, e foi assim que cresci bastante.

Foi um ano de mudanças, muitas. Mudei de emprego, mudei de blog, mudei a cor do cabelo, mudei de ponto de vista. Foi um ano que deu medo, e tive muito medo de perder pessoas que eu amo. Mas foi também um ano de coragem, de olhar as coisas que me deram medo e mesmo assim seguir em frente.

Foi um ano de reciclagem. Algumas pessoas ficaram de fora dessa vez. Teve gente que foi expulsa, e pela porta dos fundos mesmo já que por ali tinha entrado, e teve gente que simplesmente ficou pelo caminho. Como aquela blusa que você compra e simplesmente deixa no armário, não usa nunca mais, não era pra você.

Da mesma forma, teve gente que entrou, pela porta da frente. E vai ficar, porque quando se entra pela porta da frente de uma pessoa transformada, é para sempre.

Então vamos lá: do balanço do ano ao balanço das ondas (passando, fazer o quê, pelo balanço do avião), torcendo muito pra que esse 2006 seja, como disse um amigo muito querido, o melhor ano das nossas vidas!

Tin tin!

quarta-feira, dezembro 28

O Amor não tem limites

"Tartaruga adota filhote de hipopótamo no Quênia".

Uma tartaruga macho gigante do Parque Mombasa Haller em Mombasa, no Quênia, adotou um filhote de hipopótamo chamado Owen.

Os dois animais "estão juntos" há um ano. Owen foi resgatado do mar em Malindi depois que o tsunami atingiu o Quênia em dezembro de 2004, separando-o de sua mãe.
Em setembro passado, dois filhotes de tigre de quatro meses foram adotados por uma cadela do zoológico municipal de Krasnovarsk, na Rússia. (redação Terra)


Só a gente que acha que só pode amar quem for igualzinho a nós....

Os outros Days of Christmas

Além de estar achando muita carolice essa coisa de publicar cada dia num dia, vou viajar e não sei a quantas anda o acesso à Internet no mar do caribe... Sim, O MAR DO CARIBE.

Enfim.

Aqui está a letra inteira pra quem quiser cantar comigo!

On the first day of Christmas,
my true love sent to me
A partridge in a pear tree.

On the second day of Christmas,
my true love sent to me
Two turtle doves,
And a partridge in a pear tree.

On the third day of Christmas,
my true love sent to me
Three French hens,
Two turtle doves,
And a partridge in a pear tree.

On the fourth day of Christmas,
my true love sent to me
Four calling birds,
Three French hens,
Two turtle doves,
And a partridge in a pear tree.

On the fifth day of Christmas,
my true love sent to me
Five golden rings,
Four calling birds,
Three French hens,
Two turtle doves,
And a partridge in a pear tree.

On the sixth day of Christmas,
my true love sent to me
Six geese a-laying,
Five golden rings,
Four calling birds,
Three French hens,
Two turtle doves,
And a partridge in a pear tree.

On the seventh day of Christmas,
my true love sent to me
Seven swans a-swimming,
Six geese a-laying,
Five golden rings,
Four calling birds,
Three French hens,
Two turtle doves,
And a partridge in a pear tree.
On the eighth day of Christmas,
my true love sent to me
Eight maids a-milking,
Seven swans a-swimming,
Six geese a-laying,
Five golden rings, Four calling birds, Three French hens, Two turtle doves,
And a partridge in a pear tree.

On the ninth day of Christmas,
my true love sent to me
Nine ladies dancing,
Eight maids a-milking,
Seven swans a-swimming,
Six geese a-laying,
Five golden rings,
Four calling birds, Three French hens, Two turtle doves, And a partridge in a pear tree.

On the tenth day of Christmas,
my true love sent to me
Ten lords a-leaping,
Nine ladies dancing,
Eight maids a-milking,
Seven swans a-swimming,
Six geese a-laying,
Five gold rings, Four calling birds, Three French hens, Two turtle doves, And a partridge in a pear tree.

On the eleventh day of Christmas,
my true love sent to me
Eleven pipers piping,
Ten lords a-leaping,
Nine ladies dancing,
Eight maids a-milking,
Seven swans a-swimming,
Six geese a-laying,
Five golden rings, Four calling birds, Three French hens, Two turtle doves, And a partridge in a pear tree.


On the twelfth day of Christmas,
my true love sent to me
Twelve drummers drumming,
Eleven pipers piping,
Ten lords a-leaping,
Nine ladies dancing,
Eight maids a-milking,
Seven swans a-swimming,
Six geese a-laying,
Five golden rings, Four calling birds, Three French hens, Two turtle doves, And a partridge in a pear tree!


Pronto!!!!

segunda-feira, dezembro 26

Querido Papai Noel




Desculpe a assertividade em que me dirijo à sua pessoa, mas paciência tem limite.


VOCÊ É BURRO OU SURDO???

sábado, dezembro 24

Four Calling Birds


...no quarto dia do Natal: Mateus, Marcos, Lucas e João, proclamadores da reconciliação de Deus com o Mundo.

Three french Hens





São o presente do terceiro dia do Natal.

Esperança, fé e amor.

On the Second Day of Chrstmas...


...my true Love Gave to Me


TWO TURTLE DOVES
(and a Partridge in a Pear Tree!)

Representando o Antigo e o Novo testamentos.

On the First Day Of Christmas



My true love gave to me

A PARTRIDGE IN A PEAR TREE
!



O primeiro dia de Natal, ao contrário do que se acredita, não é 13 de Dezembro, mas o próprio dia 25. Os doze dias de Natal são os doze dias compreendidos entre o Natal e a Epifânia, em 6 de Janeiro.

O partridge in a Pear tree é a figura que representa o nascimento de Jesus Cristo.

THE TWELVE DAYS OF CHRISTMAS





Minha irmã e eu sempre adoramos "The Twelve Days of Christmas", uma das mais tradicionais canções de Natal em língua inglesa que existe. Ela também é a trilha sonora de um dos meus episódios favoritos do "I Love Lucy", em que ela é regente de um coral infantil no Natal.

Muito bem. "The Twelve Days of Christmas" é quase uma "Árvore na Montanha" (olê-ia-ô). Começa pequenininha, e a cada verso aumenta uma frase, e vai ficando uma coisa Interminável.

Carol e eu cantamos tudo. Exceto pelo pequeno contratempo de não sabermos a letra, é muito divertido. A gente começa direitinho com 'On the first day....' , faz uma paradinha estratégica no "fiiiiive goooold riiings", e enche todo o resto de Tananan!

Agora, graças ao Google (ave, google), não só sei TODA A LETRA, mas também TODO O SIGNIFICADO.

Enjoy!

terça-feira, dezembro 20

SALDÃO




O Natal nem passou ainda e já tem site entrando em liquidação. Todos os dias, minha caixa postal amanhece abarrotada de ofertas imperdíveis, produtos em promoção.

Mas o campeão do Saldão, sejamos sinceros, é o tal do Paaar Perfeeeeeito. Resolveram pegar tudo o que tinha de mais... digamos.... específico, e mandar pra gente por email. Minha amiga comentou que recebe email deles e já dá arrepio, porque a coisa tá cada vez pior....

Vejamos:

"Sou um cara romântico e fiel, me concidero um homem bonito"...

"Gosto do sorrizo de uma mulher...."

"Estou à procura de uma mulher que seje..."

"Sou uma pessoa sincera, uma pessoa de bem com a vida, uma pessoa ...." (seria o quê, uma planta?)

O pior, é que nem sempre a gente chega nos textos... Há muitos homens com o "nick leão de chácara": é aquele apelido que funciona como um porteiro grosso, um impeditivo claro pra quem pensava em ir adiante. Eu tenho meus leões de chácara favoritos. Escolha o seu:

Penetrante
Ursopeludo
KsadoKarente
Homem cinsero
Odeioputas
Eu-avisei

e o campeão, na minha opinião: Coisinho.
Não se pode acusar o moço de over promise, não é mesmo?

Oh! Canada




- Sua mala já tá pronta pra viagem?
- Não, ainda faltam umas coisas... quero comprar uma sandália de salto alto chiquérrima pra usar à noite...
- Sandália alta e chiquérrima na praia?????
- É. Vai que eu conheço um canadense lá, lindo e solteiro, e ele me convida pra tomar champagne sob o luar?
- Ah é.

...

- Lala, não quer mesmo conhecer o Fulano?
- Não querida, brigada... tô me guardando pro Canadense que vou conhecer na viagem...
- Ah, tá.

...

- Ai que lindo o reveillon da nossa amiga né?
- Sabe que eu também queria um reveillon como o dela?
- Fica tranquila amiga. O Mark vai te apresentar um amigo super legal dele.
- Lala, o Mark que não me venha com OUTRO canadense pegajoso....
- Outro por quê?? o Mark não é pegajoso, ele é atencioso.... Fica se esforçando pra agradar.... E o Kevin também é assim, amiga... dá um crédito vai?
- Ah, tá....


Pena que certas viagens não têm programa de milhas!

quarta-feira, dezembro 14

Dezembro em São Paulo


I like New York in June...
How About you?
I like the Gershwin tune...
How about you?

VEJA BEM. Eu gosto do Gershwin Tune, gosto de New York in June, gosto de qualquer lugar que não seja São Paulo em Dezembro. Até gosto de São Paulo em Janeiro, em Fevereiro, até mesmo em Março cheio de chuva. Mas São Paulo em Dezembro ninguém merece.


Podia ser pior. Em vez de vinte e poucos graus, poderíamos estar com trinta e poucos, e a coisa seria fisicamente insustentável. Mas mesmo com vinte, ou dezoito (my temperature), já tá bem difícil. EMOCIONALMENTE INVIÁVEL.

Em todo lugar lugar que você vai de carro, você não chega. Não chega. O trânsito NÃO DEIXA. Acho que TODO O MUNDO que tem carro vem pra São Paulo em Dezembro.

Em todo quarteirão tem um shopping, em todo o shopping tem um estacionamento lotado, um guarda de trânsito ineficiente e oito milhões de pessoas achando que podem ser mais espertas parando na rua.

Em qualquer cruzamento tem 15 ambulantes, todos os cegos da cidade pedindo doação e uma multiplicação de malabares mirins e limpadores de para brisas nada mirins.

Em toda calçada tem uma montanha de cocô, em cada cocô tem uma revoada de moscas, e todas elas ficam zunindo nos nossos ouvidos já castigados pelos motores de caminhão, pelas buzinas de carro e pelo interminável e insuportável bibibibibibi das motos.

Em toda agência de propaganda tem um cliente achando que o mundo vai acabar em Dezembro e que tudo tem que ser feito na próxima semana.

Não dá mesmo. Posso ir embora e voltar só ano que vem?

quinta-feira, dezembro 8

25 Years Ago


Foi assim. O tal do Chapman atravessou o Central Park, pediu um autógrafo, puxou uma arma e atirou. Assim.
Depois, caminhou tranquilamente, encostou num carro e continuou a ler seu exemplar de "Catcher in the RYE". Assim.

Vidas absolutamente brilhantes podem ter um fim completamente estúpido. Assim.

Ainda o final de semana....


ô marinheiro, marinheiro....

Atendendo a Pedidos



A Noiva. Linda, de revista!

terça-feira, dezembro 6

segunda-feira, dezembro 5




É bom ser adulta e independente. Você toma a decisão de ir ao casamento de uma amiga querida em outro país e vai. Descobre que no mesmo final de semana vai ter show do Duran Duran, compra ingresso e vai. Porque você é adulta, não precisa mais ficar na fila com medo de que os ingressos se esgotem, já não tem mais aquela ansiedade de menina (tem outras, mas não aquela). Porque você é adulta, vai de avião, e porque seu voo é da british Airways, o Duran Duran vai no mesmo Voo que você.

porque você é adulta, sai pra jantar com amigos antes do show, e se diverte muito com eles. Porque você é adulta, até considera ir embora já que está frio demais/ atrasado demais/ desconfortável demais. Mas porque você é adulta, decide ficar, afinal o show pode valer a pena.

Então você fica, o show começa e você pensa QUE BOM QUE EU FIQUEI! E as músicas vão vindo, todas as que você esperava, e mais outras de que você nem se lembrava. Planet Earth, Notorious. Girls on Film (two minutes later!!!). Cantei, dancei e pulei. Em algum momento, devo ter pisado num portal do tempo, porque por um segundo estava em outro show.

Eu tinha 15 anos e era fã de verdade. Tinha posterS, assim no plural. Todos os discos lançados, acho que uns 4. Camiseta, broche, caderno universitário com letra de música tinha a foto na capa. Plastificada, que era pra não estragar.

Já estava acostumada a ver pela Tv. Campeões dos videoclipes, era do FMTV pro Realce, e eles lá, na parada de sucessos. Já estava acostumada também com a idéia de que jamais os veria ao vivo. Naquele tempo, o Brasil não entrava no circuito dos grandes shows. Só quem vinha pra cá era o Ray Conniff.

Por isso, quando minha tia me ligou pra contar de um tal festival que iam fazer com grandes bandas, o tal do Hollywood Rock, e que teria Duran Duran, achei que era boato.

Não era boato e lá fui eu: comprar ingresso no primeiro dia (vai que acaba?), comprar camiseta pra ir no show, arrumar companhia pra ir no show, esperar como doida o dia do show chegar, querer estar no Morumbi antes do sol, aquelas coisas que a gente faz quando tem 15 anos.

Choveu, eu tomei chuva, e fiquei lá, firme e forte, esperando a chuva passar, o sol de janeiro passar, o show do Ultraje a Rigor passar. Cantei TODAS as músicas, pulei, fervi de verdade.

Em algum momento, pisei num portal do tempo e fui transportada para vinte anos depois, os pés doendo muito. É bom ser adulta. A gente se diverte tanto quanto. Só que precisa de mais tempo pra se recuperar depois.

Que final de semana!

Amigos tão queridos...

Um passeio de barco...

Uma festa....